Mário e Carlos eram amigos de infância, se conheciam desde pequenos e combinavam em tudo. Eram grandes amigos, até conhecerem Lorena.
Coisa incrível, ambos se apaixonaram por ela, justo ela, o corrimão do bairro. Vai lá se saber o que deu na cabeça desses dois.
De fato, o que aconteceu levou os dois a inúmeras brigas, mas o que Lorena tinha a ver com isso? Até onde se sabe, o que ela teve com cada um dos amigos não passava de mera esfregação, nunca levou a sério nenhum dos dois.
Por eles, ela só teria, no máximo, amizade, se é que poderia chegar a isso. Eles, porém, demoraram muito tempo para perceber isso; no entanto, aconteceu, e numa mesinha, no mesmo bar de sempre, os velhos amigos se entenderam e, por fim, fizeram as pazes.
"Mulher nenhuma vai ficar entre a gente, se elas assim quiserem, não são boas o suficiente para nenhum de nós", era o que mais se ouvia no papo dos amigos.
A certa hora, depois de alguns chopes, Carlos precisou ir ao banheiro. Era a deixa para Mário, que — vai lá se saber por quê — despejou no copo do amigo um certo pó branco que guardava num pequeníssimo frasco. Carlos, ao voltar, não percebeu nem desconfiou de nada diferente ao seu redor, e tomou o chope.
Em outro momento, Mário também precisou ir ao banheiro, e foi, sem desconfiar nem um pouco do amigo, que ficou na mesa rindo de histórias do tempo em que os dois eram pequenos amigos. Em vez de preocupação, o que havia em sua cabeça era simplesmente o remorso de ter envenenado o amigo, e por isso, suando frio, pensava: "tenho cerca de duas horas para me livrar dele. Ah meu deus, como faço?"
É, mas ao que tudo indica, Carlos também não estava de brincadeira e, por isso, também despejou no copo do amigo um certo pó, muito misterioso por sinal, pelo menos da forma que estava guardado.
Dois dias depois, no velório dos dois amigos, uma mulher muito atraente — e quente, diga-se de passagem — perguntava à avó de Mário, que viu os dois crescerem em seu quintal, o que havia acontecido com aqueles dois.
Em resposta, a velhinha só conseguiu dizer:
— Ah, parece que foram envenenados por uma piranha por aí.