quinta-feira, 6 de março de 2014

Se eu pudesse comprar o tempo


Ah, se eu pudesse comprar o tempo...
Tivesse o preço que fosse,
Meus filhos seriam eternamente crianças.
Aqueles momentos na sala de estar,
por mais monótonos que fossem,
jamais passariam.
Aquela conversa que nada nos acrescenta
seria infinita

Eu viveria entre os mortos de hoje
os dias de amanhã.
Eu viveria, junto a meus amores futuros,
as alegrias do passado.

Eu recomeçaria, sempre que quisesse,
tudo o que quisesse começar de novo.
Eu viveria, reviveria
uma, duas, um milhão de vezes,
todos os momentos que desejasse.
Afinal, o tempo seria meu.

E de tanto mudar tudo,
E de tanto poder tudo,
Por ter tudo o que quisesse,
Eu me enjoaria.
Eu em mataria.

Cópula


Nos revelando em palavras,
Revelamos-nos nus um diante do outro.
As palavras vão penetrando a roupa,
Se tornam dedos a brincar com os lábios,
Em leves passagens

Agora, os segredos já não palavras,
São zonas erógenas.
Eu a toco, ela me toca.

As leis da física já não são obedecidas,
Não importa se não nos falamos há dez anos,
Não importa se estamos a quilômetros de distância.
Se não estamos no mesmo plano de vida,
E se horizontalmente ela se encontra a quilômetros daqui,
E verticalmente ela se encontra mais distante,
A sete palmos de distância.

E é assim que nossos segredos,
Transformados em pele,
Permitem-me descansar em paz.