sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Entre os cães e os pastores

O cão-guia é um eunuco. Não há outra forma de dizer. É fiel, protege e trabalha feito um escravo.
Como é estranho, não é? Mais do eu um melhor amigo, uma parte da pessoa em si. O cão-guia é castrado, não reage às tentações do sexo canino. Para pessoas que nem eu, não poderia maior forma de fazer de um ser (macho, em especial) mera parte de outro. Alinho-me a Freud, para mim, o sexo é combustível para os sonhos da vida humana – pelo menos é o que posso dizer enquanto homem e conhecedor, ainda que do mínimo possível, de mim mesmo.
Mas será que esse modelo de castração só ocorre na forma literal? Começo a me questionar a respeito disso. Afinal, não seria possível cogitar uma castração política, social e cívica?
Creio que é uma questão de começar a ver se em outra esfera da sociedade não sejamos (nós populares) apenas vistos como uma espécie de cães-guia.
O homem que vê em sua vida apenas o direito de abaixar a cabeça e seguir um padrão de vida pré-determinado por um grupo da sociedade que não o seu não é muito mais do que um cão-guia, guia para o mercado, cujo único direito é saber de que tipo de ração gosta. Mas, por ser castrado, talvez já não saiba mais sequer o que é sabor. Um ser que não tem desejo não tem direito, pois não tem exigências.
E continuamos nós, a nos contentar com a ração que nos dão todo dia, isso pelo menos para quem a tem, como se fosse a melhor de todas as recompensas.
Eu vejo apenas uma grande diferença entre o humilde e o cão-guia: nem sempre guiamos cegos. Muitas vezes, nossas vidas não passam de um treinamento e nós nem notamos. Somos criados para viver daquele jeito e ainda que não saiamos nunca desse treinamento, somos castrados.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O Antes

Tudo bem, eu confesso, eu nasci sem dentes; mas não foi só isso, eu nasci nu também, compreende o drama?
Não sei exatamente o que me faz declinar tanto no que se refere a viver minha vida, mas o fato é que eu tenho vergonha disso: eu nasci nu, e eu era analfabeto também.
Nada do que eu venha a conquistar vai mudar essa história; não adianta ganhar o mundo enquanto ainda me lembrar que nasci pelado.
Eu poderei estar feliz em muitos momentos, mas nada será suficiente. Ter uma profissão, um casamento, filhos; nada, nada será suficiente. Eu nasci nu e era analfabeto. Ah, eu nunca vivi. O tempo passou, e eu comemorei muitas coisas, mas tudo em vão. Eu nasci pelado.
Tudo o que me resta é desistir dessa vida. As dificuldades superadas foram insuficientes e sempre serão.
Quanta humilhação, agora nem importa mais quem eu sou ou o que quero; não me adianta ter dentes e roupas, eu não os tinha quando nasci. Essa vida não vale de nada.

domingo, 23 de outubro de 2011

Visões de uns todos

Não posso acreditar que ainda haja quem acredite que no individual sejamos todos iguais, que podemos ter as mesmas opiniões de acordo com determinadas circunstâncias. Não é questão simples, mas podemos aprender com essas diferenças, que, muitas vezes, a serem vistas como defeitos, nos fazem perfeitos.
 
O fato é que não basta falar das opiniões ou atitudes diante de determinados fatos ou sonhos, tenho por mim que independentemente das vontades e das realizações mais particulares, a felicidade plena não existe, por isso mudamos de opinião com tamanha frequência.
 
Que tal rever alguns tabus, tais como o do adultério, por exemplo.
 
Veja o caso da Aline:
 
Conversou abertamente com o marido sobre o assunto; falaram abertamente; debateram dias; depois que venceram finalmente o tabu da conversa, finalmente chegaram a uma conclusão, choraram muito, declararam-se um para o outro e decidiram nunca trair um ao outro.  Até que um dia, ela, viúva, se arrependeu.
 
Então, que tal ver o caso da Marisa?
 
Traiu até não poder mais, o marido dela, de tão frouxo, não interessa, essa mulher não tinha limites, teve seus mil amantes. Entretanto, um belo dia, se arrependeu.
 
Se bem que a história do marido dela tem lá seu lado interessante sim. Afinal, acredite se quiser, ninguém nessa vida soube tão bem o que é levar chifre quanto o Ozório.
 

Definitivamente, esse homem não podia mencionar aquele ditado que diz que "cada um chora por onde sente mais falta", já que, quando mataram o Ricardão daquele bairro, a mulher dele teve diarreia até o sétimo dia.

Levou tanto que os chifres começaram a descer pelos braços e as pernas. Era tanto chifre — mas tanto chifre — que, para tirar o peso da consciência e compartilhar a dor, ele comprou um vídeo cassete de sete cabeças. 

E o caso da Ellen! 

Combinou com o marido: sexo é sexo, e só. Traição? Só o abandono.
 
Cada um transou à vontade com quem bem quis. Anos depois se arrependeram. Não sabiam se estavam traindo ou não, isso conforme seus próprios conceitos. Separaram-se, pois estavam infelizes no relacionamento. Voltaram tempos depois, agora fiéis um ao outro em todos os sentidos, mas continuaram infelizes.
 
Inês preferiu ser a outra, e foi. Dizia-se muito feliz. Mentira! Vivia sonhando em ter o homem da oficial. Nunca foi a titular. Quando seu amante ficou viúvo, arrumou outra, mais jovem ainda.
 
Melissa também era “outra”. Também sonhava em ter um homem seu; mas não o amante. Sonhava com o príncipe encantado, mas tinha o sapo. Procurou o homem certo em vários outros homens, mas não o achou. Morreu infeliz.
 
Serena foi serena até de mais. Não se arrumou com ninguém. Sonhava com um homem que fosse seu. Teve varias oportunidades e não abriu a boca nem para falar, que o diga beijar. Virou freira e morreu só. Infeliz que só.
 
Feliz foi Sandra, a conformista. Viveu o que tinha para viver na janela, espiando a vida das outras. De tão conformista que era, morreu sozinha, e morreu feliz, conformada com seu destino e com o fato de nunca ter conhecido a dor da desilusão amorosa, já que nunca havia tido ilusões mesmo.
 
Quando viva, prendeu o busto na janela e soltou a língua na rua.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Meu toque

Talvez você possa conhecer alguma mulher que tenha nojo de você;
Talvez você possa conhecer alguma mulher que o ame.
Mas, provavelmente, você nunca tenha a amado e não pudesse tocá-la.
Minha história não serve para comover a todos. Há quem diga que existem mulheres especiais a cada esquina... Nunca comprovei esta afirmação como verdadeira. O fato é que não encontrei outra mulher que fosse igual, e creio que não encontraria em qualquer outro lugar deste mundo.
Às vezes em uma brincadeira, pode-se, sem querer ou sequer imaginar, encontrar alguém que pensávamos já conhecer, mas não sabíamos o quanto perdíamos enquanto fôssemos apenas conhecidos.
Quando crianças, não sabíamos o valor de um para o outro, acho que sequer conhecíamos um ao outro. Tanto tempo distante, embora no mesmo lugar.
Demorou alguns anos para que viéssemos a entender um ao outro. Demorou tempo o suficiente para que viéssemos a conhecer a nós mesmos. Quando a conheci, conheci a mim mesmo e o que era a vida em si.
Estava crente que finalmente havia encontrado alguém para mim e um relacionamento perfeito. Eu estava enganado.
Não sou especialista em microbiologia, não conheço as ciências da natureza. Não conheço nada, nem ela eu conheço mais.
O fato é que com ela eu conheci os desejos mais nobres que se pode ter. Com o médico, conheci o desejo de machucar, ferir e até matar. Fomos separados por um diagnóstico. Do nada, surgiam feridas em sua pele. Do nada, nosso casamento acabava. Maldito diagnóstico. Isso mesmo, uma maldição. Seu diagnóstico, alergia.
Alergia a mim.

domingo, 9 de outubro de 2011

E não valeu de nada?

Eu estava em estabelecimento comercial – que não vou falar de quê – que tinha uma televisão ao fundo. Nesta televisão o Jornal Nacional passava uma reportagem sobre Steve Jobs, que em tudo o que se referir a ele como gênio eu vou concordar. Eis que o atendente se vira para mim e fala “Esse cara era o 'cara', né?!”, eu respondi que sim, ele era. Nisso, ele me respondeu: “E não valeu de nada. 'Tá' embaixo da terra agora.”

O fato de não ter intimidade com o sujeito não me permitiu impor meu ponto-de-vista. O fato é que a vida de olho gordo que a mídia tem nos imposto como padrão de vida pode nos levar a viver uma vida que considere como vitórias apenas o que se conquista quantitativamente, esquecendo assim da qualidade; muita gente não sabe isso, mas qualidade não se conta.

Fico pensando em uma ideia simples, que retiro de palavras que o jornal Bom Dia Brasil no dia 6 de outubro atribuiu a Jobs; nesta ideia, Jobs afirmaria que o fato de saber que iria morrer o fazia mais dedicado a seus objetivos. Embora as palavras não fossem essas, a mensagem era a mesma.

Isso me lembra meu tempo de criança. Bastava ganhar algo que realmente queria para cair “na fossa”, nem mesmo o que eu mais queria podia me deixar contente o suficiente para eu esquecer que o tempo iria passar, e eu um dia iria morrer. As palavras de Jobs me parecem coisa de quem pensa diferente dessa forma, alguém que, ao ganhar o brinquedo que realmente queria, não perderia tempo pensando em quando tudo iria acabar, mas simplesmente brincaria o quanto pudesse.

Creio que alguém como Jobs tinha a vida como uma espécie de dívida a qual devêssemos respeitar como fazemos com as demais. Um amigo outro dia me falava de uma frase que seu pai o falou, uma frase que merece reflexão: “Nenhum homem cresce nessa vida se não for com dívida”. Excelente, assim como para estudar muitas vezes temos que contrair dívidas, para conseguir outras conquistas também. Mas esse ainda não é ponto ao qual quero chegar, quero ver a vida como uma dívida ou talvez a obrigação de uma. Creio que este sim seja o limiar da vida adulta.

Se eu vir a notar que tenho uma dívida com a vida, poderei pensar diferente do que tenho pensado a vida toda – assim como a maioria das pessoas, eu tenho sobrevivido à vida e não vivido ela.

Agora eu penso da seguinte maneira: Jobs pode ter ido novo, mas confesso que um pensamento qualitativo da vida pode nos levar à preferência por viver 55 anos bem vividos a viver 90 anos de desgosto. Será que Jobs e os demais grandes da humanidade – estes outros gênios, guerreiros, sábios, homens ou mulheres – que morreram cedo não tiveram uma vida que tenha valido a pena só porque se foram mais cedo? Creio que devemos saber, antes de tudo, se queremos uma vida de quantidade ou qualidade, em especial no que se refere aos anos vividos, o homem daquele estabelecimento comercial devia saber disso.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Solteirão apaixonado


Eu confesso que eu acho muito estranho quando alguém anuncia em público que está a procura de "um grande amor". Jornais, programas vespertinos apelativos, programas noturnos apelativos... enfim televisão, internet, rádio...
Não é muito comum vermos homens nessa situação - normalmente são mulheres desesperadas. Já que sempre que podemos contamos uma vantagem ou outra, creio que seria muito difícil que um cara em um anúncio desses contasse a verdade sobre o que procura. Seria um anúncio mais ou menos assim:

“Procuro uma mulher que seja capaz de trazer de volta o meu prazer de viver. Uma mulher que tenha nascido para amar de verdade. Uma mulher que me estimule a não ter sono, a me vestir bem, a me exercitar com frequência, a comprar sorvete, a dar chocolate, a fazer carinho, a perder a vontade de comer, a me perfumar, a trabalhar com dedicação, a voltar mais cedo para a casa, a permanecer sóbrio. Enfim, uma mulher para transar três vezes por semana.”

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Mentiroso?

Ok, o mundo discursivo parece cada vez mais a nos levar para uma alegação que, pasmem, parece absurda, mas é, ao que me parece, a única verdade. Que verdade é essa tão absurda assim? Simples, o único argumento que beira  o atual sentido de verdade: não existe verdade; simplesmente existe a verdade de cada um.

Sim o que vemos como verdade pode não ser mais do que o que queremos considerar verdade.

Será que dizer que o céu é vermelho e poder considerar isso real não é a mesma coisa que dizer que quem ama o feio, bonito lhe parece?

Mas como assim?

O que posso ver é não há uma verdade absoluta, não para toda a humanidade. O deus que reina sobre um povo pode não ser o mesmo ou os mesmos de outro.

Então o que se vê não é real?

De fato tudo o que o homem são, se é que alguém pode julgar-se são, ou ser julgado como são, vê e comprova é sua verdade.

As normas que constituem o mundo acadêmico nos levam a fazer citações. Que maior prova da não existência da realidade pode-se querer? A natureza diz isso, não, fulano o diz.

Mas e as ciências da natureza? Ora, até elas mentem, quem não mente. Quem pode dizer a um daltônico que ele é o daltônico? Quem pode dizer que o corpo tido como perfeito, com duas pernas, dois braços e um membro genital é mesmo o normal? A maioria é assim? Sim, mas todos têm defeitos. E então o que é perfeito? O que é verdade?

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Até que...

Talvez nenhum fenômeno seja tão inexplicável quanto o amor...
Todos os dias são comuns casos de crimes passionais, loucuras feitas por dependência de outras pessoas, pessoas tornando-se depressivas ou matando por pensarem que outras pessoas são de sua posse. Enfim, o amor é, no mínimo, uma epidemia.
Mas o que me choca em relação a essa doença não é o número de vítimas diárias ou ao longo da história – embora convenha dizer que nem a gripe espanhola tenha matado tanto –, e sim o número enorme de pessoas que querem porque querem contraí-la.
Agora, imaginem um maestro. Mais do que isso, além de maestro, também compositor.
Imagine se este maestro, além de trabalhar com o que mais ama, fosse aclamado por este trabalho. Um homem que compusesse como se falasse, e com pleno domínio de sua oratória. Alguém cuja própria música lhe servia de palavras. Um homem-música.
Um homem assim tem tudo? Ele pensava que sim. Até conhecer Ada.
O maestro agora era um doente, mas se sentia o homem mais feliz do mundo. Mulher cretina! Fez da música um arco-íris sem fim. Sem fim! Sem fim!
A doçura fazia de sua música mais comovente e mais dócil, é verdade. Mas Ada não era apenas música agora, era também obsessão. O maestro nela só via o amor, aquela doença da qual eu falava; ela no maestro, só a doença; Até conhecer Nícolas.
Não fosse a inteligência e a poder de sedução de Nícolas, o diabo não precisaria ser entrar nessa história. Mas o maestro sentia a traição, mesmo sem ver. Dizem que o que os olhos não veem, o coração não sente, mas até a batuta sentia, o que dizer da orquestra?
O gênio já não se importava com mais nada, queria ver Nícolas morto e Ada pelo “até que a morte os separasse”. E assim o diabo o fez: Nícolas morreu repentinamente, ninguém sabe de quê, um ataque cardíaco talvez. Ada, sem consolo, voltou para os braços do maestro após suas semanas de sofrimento. Este não precisou de nada mais do que vender a própria alma.

Uma segunda primeira noite

Ele fez de tudo para que fosse a noite mais perfeita de suas vidas, e foi. Só não esperava pela grande surpresa que teria ao amanhecer.
Ada estava mais linda do que nunca, deitada ao seu lado, de olhos fechados com um sorriso de quem realmente tivera, enfim, encontrado o que mais queria, e encontrou. Sua pele estava mais clara, seu corpo mais frio – extremamente frio, diga-se de passagem.
Ada estava morta, o maestro vivo. O diabo cumprira sua promessa. O maestro era seu. Ada pertenceu ao maestro até que a morte os separou.

domingo, 2 de outubro de 2011

Ganhando o tempo

E se de repente passássemos a contar o tempo por minutos, ou até mesmo segundos, que houvessem de vir pela frente? Seria como a partir da expectativa de vida, marcar uma data para a própria morte.
Consegue pensar?

Como haveria casos ilustres como o do Olavo, que, ao tentar ganhar dez minutos no caminho do trabalho, perdeu quarenta anos de vida pela frente. Afinal, se julgarmos por sua idade, 32 anos, e considerarmos que a expectativa de vida do brasileiro tem como média 72 anos, chegaremos a esta conclusão. Pobre dele. Alguns dizem que era a hora, eu concordo, era a hora. No seu pulso, os minutos estavam contados. A pressa o matou.

“Não posso ficar nem mais um minuto com você” – ele dizia à mulher cantando o clássico dos Demônios da Garoa. Realmente, ele não podia. Além do mais, se pegasse o trem das onze estaria no mínimo encrencado. Para ele, nem mesmo o próprio carro que pegava às 6h30 da manhã não era rápido o suficiente. Tinha um compromisso que não podia perder. Apressou-se demais. “Não posso perder um minuto” – pensava. Perdeu quarenta anos e talvez nem saiba.

Perdeu a mulher, perdeu os amigos, perdeu seu compromisso com o trabalho, perdeu tudo, uns dizem. Outros dizem que ganhou vida eterna. Não sei o que de fato aconteceu. O que sei é que não perdeu o único compromisso do qual não se pode escapar nesta vida – quem sabe, segundo a expectativa de vida, pudesse adiar –, a morte. 

sábado, 1 de outubro de 2011

Sonhos Coletivos

Era uma vez em um lugar qualquer. Uma terra onde reinava o tédio e as pessoas era tão desiguais, mas queriam viver de forma mais igualitária e, ao mesmo tempo, serem diferentes, por isso seguiam a moda. Cada qual com seu estilo, tão diferentes uns dos outros, e eram todos iguais.
Havia-se tornado moda cortar a mão esquerda. Todos cortaram a mão esquerda e viveram felizes para sempre.
Não, não, não!
Não é bem assim. Eles cortaram a mão esquerda e foram felizes por um dia.  Depois, o tédio voltou. Todos eram tão iguais e tão diferentes. Todos queriam ser iguais àqueles que obtinham sucesso em suas carreiras, mesmo os criticando tanto. Todos queriam ser iguais àqueles que admiravam, mas acabavam iguais também àqueles pelos quais tinham desprezo, pois os viam como inferiores.
Então, tornou-se moda cortar o pé direito. Todos cortaram o pé direito e viveram felizes para sempre.
Não, não e não.
Depois que todo mundo se tornou legal, todos eram novamente iguais, iguais a quem queriam ser iguais e iguais a quem não queriam. Que tédio!
Então, tornou-se moda cortar o pé esquerdo, e todos cortaram o pé esquerdo. E viveram felizes para sempre.
Não, não.
Não é bem assim. Quando todo mundo se tornou legal, bateu aquele tédio, e, aí, tornou-se moda se matar. Todos se mataram. E viveram felizes para sempre.