segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Vidente sem mira

Não sei bem como fui notar isso. Mas que visão maldita eu tenho! Funciona assim, eu sonho como se fosse acontecer comigo, mas não é bem assim. Acontece? Acontece. Mas com outras pessoas.

Como eu bem disse, não sei como eu fui notar. Foi uma questão de frequência. Vejamos, por exemplo, o dia em que sonhei quebrar o braço ao escorregar do ônibus. Aconteceu, sim, mas com um colega de trabalho. Talvez eu já estivesse mais esperto quanto ao local onde pisar. Sorte minha, azar dele.

Enfim, essas coisas não dizem respeito só a coisas ruins. Acontecem também com coisas boa. Bons sonhos meus se tornam realidade para outros, tal aquele prêmio da loteria federal que meu vizinho ganhou.

Bom, se eu estivesse falando a longo prazo, certamente tudo isso não passaria de pequenas coincidências que vão ocorrendo ao longo da vida. Mas não, estou de falando de supostas premonições incertas que ocorrem da noite pro dia.

Ora essa, cabeça, será que não poderíamos ser um pouco mais certeiros? Lembre-se de que o que para mim for bom será para você também, exceto, é claro, aquele porre dos fins de semana que eu não posso repelir.

Se pelo menos de meus sonhos viessem os números certos para a mega sena, mas não, vem só a fantasia. Os número sempre encontram a cabeça alheia. Ora essa, até aquela tatuagem com um Alpha e um Ômega foi para em um outro corpo. Tudo isso porque sonhamos com ela.

Vou pedir um favor a mim mesmo. Ah sim, à minha cabeça: por gentileza, não sonhe com a casa de meus sonhos, não sonhe com a vida com que tanto sonhei, não sonhe com o sucesso profissional com que tanto sonhei, não sonhe com a mulher de meus sonhos, com os filhos com os quais tanto sonhou, não sonhe consigo mesma. Não sonhe, por favor.

Acredite se quiser, minha cabeça, aquilo com que sonho para mim, sonho para você. Aquilo com que você sonha, não sonha por nós. É melhor não sonharmos juntos, pois se você não sonhar, não me iludirá, não me enganará, não mentirá para mim. Faça o seguinte, minha cabeça: apenas me governe, como você tem que fazer, mas não me prometa mais o que você não pode me dar.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Sinais de pontuação

Bi-bi, fon-fon, o fluxo de ideias está congestionado.

Não é hora de falar que a aluna que não cala a boca é uma vaca atravessando o caminho, nem mesmo que o aluno que chamo de veado, porque não fica quieto, é o sinal de que possa haver animais à minha frente.

Não, meu caro aluno, não estamos em uma autoescola; mesmo assim, este é o momento de prestarmos atenção à sinalização, às vias e à direção.

Aqui as vírgulas são as placas amarelas e o ponto final, uma placa de “pare” ao final do quarteirão.

Usou de um mau argumento, entrou em uma rua sem saída. Entrou em contradição, foi parar na contramão. Estacionou em lugar proibido, é falácia na certa. Ultrapassagem proibida é sofisma. Se parou na placa de “pare”, mas vai seguir na mesma direção, permaneça no mesmo parágrafo. Parou na nela para fazer a conversão, mudou de parágrafo então.

Para chegarmos aonde queremos, devemos prestar bem atenção à direção. Quer ir à igreja, rezar pela moral e os bons costumes, veja, vire à direita. Quer ir ao bar, celebrar a vida, se divertir e usufruir do fruto de seu trabalho, caros amigos, virem à esquerda. É tudo uma questão de argumentação, digo, de direção.

Com certeza, um texto bem escrito, uma opinião bem expressa, por mais expressa que seja, não precisa furar semáforos. Às vezes, para ser mais rápido e preciso, é necessário parar, pensar e, finalmente, seguir. Do contrário, podemos nos precipitar e acabar batendo mais à frente. E acredite, bater de frente com a opinião alheia pode causar um estrago sem tamanho, principalmente se estivermos errados.


Não basta só observar as placas e seguir a direção, é preciso um cuidado a mais, umas olhadinhas ao redor, ver quem vem passando. Escrever, digo, dirigir tem que ser com segurança, segurança de quem tem, além do domínio, bons motivos para colocar no papel, aliás, na pista.