Não posso acreditar que ainda haja quem acredite que no individual sejamos todos iguais, que podemos ter as mesmas opiniões de acordo com determinadas circunstâncias. Não é questão simples, mas podemos aprender com essas diferenças, que, muitas vezes, a serem vistas como defeitos, nos fazem perfeitos.
O fato é que não basta falar das opiniões ou atitudes diante de determinados fatos ou sonhos, tenho por mim que independentemente das vontades e das realizações mais particulares, a felicidade plena não existe, por isso mudamos de opinião com tamanha frequência.
Que tal rever alguns tabus, tais como o do adultério, por exemplo.
Veja o caso da Aline:
Conversou abertamente com o marido sobre o assunto; falaram abertamente; debateram dias; depois que venceram finalmente o tabu da conversa, finalmente chegaram a uma conclusão, choraram muito, declararam-se um para o outro e decidiram nunca trair um ao outro. Até que um dia, ela, viúva, se arrependeu.
Então, que tal ver o caso da Marisa?
Traiu até não poder mais, o marido dela, de tão frouxo, não interessa, essa mulher não tinha limites, teve seus mil amantes. Entretanto, um belo dia, se arrependeu.
Se bem que a história do marido dela tem lá seu lado interessante sim. Afinal, acredite se quiser, ninguém nessa vida soube tão bem o que é levar chifre quanto o Ozório.
Definitivamente, esse homem não podia mencionar aquele ditado que diz que "cada um chora por onde sente mais falta", já que, quando mataram o Ricardão daquele bairro, a mulher dele teve diarreia até o sétimo dia.
Definitivamente, esse homem não podia mencionar aquele ditado que diz que "cada um chora por onde sente mais falta", já que, quando mataram o Ricardão daquele bairro, a mulher dele teve diarreia até o sétimo dia.
Levou tanto que os chifres começaram a descer pelos braços e as pernas. Era tanto chifre — mas tanto chifre — que, para tirar o peso da consciência e compartilhar a dor, ele comprou um vídeo cassete de sete cabeças.
E o caso da Ellen!
E o caso da Ellen!
Combinou com o marido: sexo é sexo, e só. Traição? Só o abandono.
Cada um transou à vontade com quem bem quis. Anos depois se arrependeram. Não sabiam se estavam traindo ou não, isso conforme seus próprios conceitos. Separaram-se, pois estavam infelizes no relacionamento. Voltaram tempos depois, agora fiéis um ao outro em todos os sentidos, mas continuaram infelizes.
Inês preferiu ser a outra, e foi. Dizia-se muito feliz. Mentira! Vivia sonhando em ter o homem da oficial. Nunca foi a titular. Quando seu amante ficou viúvo, arrumou outra, mais jovem ainda.
Melissa também era “outra”. Também sonhava em ter um homem seu; mas não o amante. Sonhava com o príncipe encantado, mas tinha o sapo. Procurou o homem certo em vários outros homens, mas não o achou. Morreu infeliz.
Serena foi serena até de mais. Não se arrumou com ninguém. Sonhava com um homem que fosse seu. Teve varias oportunidades e não abriu a boca nem para falar, que o diga beijar. Virou freira e morreu só. Infeliz que só.
Feliz foi Sandra, a conformista. Viveu o que tinha para viver na janela, espiando a vida das outras. De tão conformista que era, morreu sozinha, e morreu feliz, conformada com seu destino e com o fato de nunca ter conhecido a dor da desilusão amorosa, já que nunca havia tido ilusões mesmo.
Quando viva, prendeu o busto na janela e soltou a língua na rua.