Bi-bi, fon-fon, o fluxo de ideias está congestionado.
Não é hora de falar que a aluna que não cala a boca é uma vaca
atravessando o caminho, nem mesmo que o aluno que chamo de veado, porque não fica
quieto, é o sinal de que possa haver animais à minha frente.
Não, meu caro aluno, não estamos em uma autoescola; mesmo
assim, este é o momento de prestarmos atenção à sinalização, às vias e à direção.
Aqui as vírgulas são as placas amarelas e o ponto final, uma
placa de “pare” ao final do quarteirão.
Usou de um mau argumento, entrou em uma rua sem saída. Entrou
em contradição, foi parar na contramão. Estacionou em lugar proibido, é falácia
na certa. Ultrapassagem proibida é sofisma. Se parou na placa de “pare”, mas
vai seguir na mesma direção, permaneça no mesmo parágrafo. Parou na nela para
fazer a conversão, mudou de parágrafo então.
Para chegarmos aonde queremos, devemos prestar bem atenção à
direção. Quer ir à igreja, rezar pela moral e os bons costumes, veja, vire à
direita. Quer ir ao bar, celebrar a vida, se divertir e usufruir do fruto de
seu trabalho, caros amigos, virem à esquerda. É tudo uma questão de argumentação,
digo, de direção.
Com certeza, um texto bem escrito, uma opinião bem expressa,
por mais expressa que seja, não precisa furar semáforos. Às vezes, para ser
mais rápido e preciso, é necessário parar, pensar e, finalmente, seguir. Do contrário,
podemos nos precipitar e acabar batendo mais à frente. E acredite, bater de
frente com a opinião alheia pode causar um estrago sem tamanho, principalmente
se estivermos errados.
Não basta só observar as placas e seguir a direção, é preciso
um cuidado a mais, umas olhadinhas ao redor, ver quem vem passando. Escrever,
digo, dirigir tem que ser com segurança, segurança de quem tem, além do
domínio, bons motivos para colocar no papel, aliás, na pista.
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