quinta-feira, 6 de março de 2014

Cópula


Nos revelando em palavras,
Revelamos-nos nus um diante do outro.
As palavras vão penetrando a roupa,
Se tornam dedos a brincar com os lábios,
Em leves passagens

Agora, os segredos já não palavras,
São zonas erógenas.
Eu a toco, ela me toca.

As leis da física já não são obedecidas,
Não importa se não nos falamos há dez anos,
Não importa se estamos a quilômetros de distância.
Se não estamos no mesmo plano de vida,
E se horizontalmente ela se encontra a quilômetros daqui,
E verticalmente ela se encontra mais distante,
A sete palmos de distância.

E é assim que nossos segredos,
Transformados em pele,
Permitem-me descansar em paz.

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