Esse mundo está ficando cada vez mais perdido, e olha que eu
nem sou conservador, muito pelo contrário. Se fosse, teria eu parido um par de gêmeos, tamanho é o choque que essas notícias me causam. Sinceramente, eu não consigo
acreditar no que tenho visto, mesmo martelando em minha cabeça que as coisas estão
assim.
Pela manhã, eu via em vi a notícia: garota de 9 anos — isso
mesmo, nove anos, não dezenove, criança, não adolescente — dá à luz e pai está
foragido. Isso ocorreu no México. Chocante, não? Mas, como se não bastasse
isso, agora à tarde vejo outra notícia um tanto similar: após completar 12 anos,
menina dá à luz gêmeos. Se a lei vê uma menina dessa idade como adolescente, eu
confesso: eu vejo como criança.
Dá para acreditar numa coisa dessas, melhor dizendo, duas?
O fato é que estamos à beira da extinção do mito. Prestemos atenção
ao seguinte ponto: as crianças estão se tornando adultas muito cedo, muito cedo
mesmo. Começam a ler cedo, a questionar muito cedo, assistem a muito daquilo
que consideramos realidade na televisão. Ficam críticas muito cedo. Querem ser
adultos cada vez mais cedo.
Já não há mais cegonha para servir de escudo para pais que
tiveram filhos mais novos cujos irmãos mais velhos não os aceitam. Não há mais álibis
para o pai justificar uma gravidez não planejada. O filho sabe desde cedo, “pai,
vocês fizeram aquilo, e sem camisinha! Agora eu tenho que dividir tudo o que é
meu com esse fralda cagada aí.”
Se há um ponto um tanto controverso em que eu toquei acima,
é o ponto de que estão lendo muito cedo. Pois bem, isso não é necessariamente
um problema. Não mesmo, depende do que leem. Há, porém, algumas possibilidades
do dia a dia que envolvem esse fato. Assim que começa a ler, a criança, lendo
palavra por palavra que vê na rua, ainda sem maiores ideias do que pode ser
sintaxe, coerência e coesão, lê uma palavra isolada e faz aquela pergunta que
coloca esta geração, que vê crianças de nove anos de idade serem mães, contra a
parede: “pai, o que é motel?”
Como ficam críticos tão cedo, logo que veem um bebê, já tendo
plena noção de que não são um mais um bebê, pois agora já conhecem crianças menores,
fazem aquela pergunta: “pai, de onde vêm os bebês?”
“Ó meu pai, tão cedo, eu não esperava.” É nessa hora que o
coração se parte, o suor frio escorre pela testa, não há nenhuma escapatória viável
para fugir da pergunta. Talvez, se o pai morar em andar térreo, possa até contar
com a janela, mas, certamente, essa não será uma das melhores saídas. É melhor
assumir. “Filho, nós mentimos esse tempo todo, mas foi preservar vocês do que
vem pela frente. Não posso mais mentir, trata-se de uma conspiração. Sua mãe,
eu e todos os pais do mundo. Escondemos de vocês o tempo todo. Pensávamos que
era mais fácil fazer vocês pensarem que a coisa era mais física, a união de
dois corpos para formar um novo corpo, mas não é assim. A verdade é essa: seu
pai leva sua mãe ao motel para instalar uma criança dentro dela. A instalação
leva um tempo, é necessário um técnico especializado para fazer a instalação. O
instalador geralmente é um homem sem pai e sem mãe. Não pergunte como ele
nasceu, eu não sei. O fato é que ele não pode ter nem uma mamãe, nem um papai.”
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