quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Conspirem já


Esse mundo está ficando cada vez mais perdido, e olha que eu nem sou conservador, muito pelo contrário. Se fosse, teria eu parido um par de gêmeos, tamanho é o choque que essas notícias me causam. Sinceramente, eu não consigo acreditar no que tenho visto, mesmo martelando em minha cabeça que as coisas estão assim.

Pela manhã, eu via em vi a notícia: garota de 9 anos — isso mesmo, nove anos, não dezenove, criança, não adolescente — dá à luz e pai está foragido. Isso ocorreu no México. Chocante, não? Mas, como se não bastasse isso, agora à tarde vejo outra notícia um tanto similar: após completar 12 anos, menina dá à luz gêmeos. Se a lei vê uma menina dessa idade como adolescente, eu confesso: eu vejo como criança.

Dá para acreditar numa coisa dessas, melhor dizendo, duas?

O fato é que estamos à beira da extinção do mito. Prestemos atenção ao seguinte ponto: as crianças estão se tornando adultas muito cedo, muito cedo mesmo. Começam a ler cedo, a questionar muito cedo, assistem a muito daquilo que consideramos realidade na televisão. Ficam críticas muito cedo. Querem ser adultos cada vez mais cedo.

Já não há mais cegonha para servir de escudo para pais que tiveram filhos mais novos cujos irmãos mais velhos não os aceitam. Não há mais álibis para o pai justificar uma gravidez não planejada. O filho sabe desde cedo, “pai, vocês fizeram aquilo, e sem camisinha! Agora eu tenho que dividir tudo o que é meu com esse fralda cagada aí.”

Se há um ponto um tanto controverso em que eu toquei acima, é o ponto de que estão lendo muito cedo. Pois bem, isso não é necessariamente um problema. Não mesmo, depende do que leem. Há, porém, algumas possibilidades do dia a dia que envolvem esse fato. Assim que começa a ler, a criança, lendo palavra por palavra que vê na rua, ainda sem maiores ideias do que pode ser sintaxe, coerência e coesão, lê uma palavra isolada e faz aquela pergunta que coloca esta geração, que vê crianças de nove anos de idade serem mães, contra a parede: “pai, o que é motel?”

Como ficam críticos tão cedo, logo que veem um bebê, já tendo plena noção de que não são um mais um bebê, pois agora já conhecem crianças menores, fazem aquela pergunta: “pai, de onde vêm os bebês?”

“Ó meu pai, tão cedo, eu não esperava.” É nessa hora que o coração se parte, o suor frio escorre pela testa, não há nenhuma escapatória viável para fugir da pergunta. Talvez, se o pai morar em andar térreo, possa até contar com a janela, mas, certamente, essa não será uma das melhores saídas. É melhor assumir. “Filho, nós mentimos esse tempo todo, mas foi preservar vocês do que vem pela frente. Não posso mais mentir, trata-se de uma conspiração. Sua mãe, eu e todos os pais do mundo. Escondemos de vocês o tempo todo. Pensávamos que era mais fácil fazer vocês pensarem que a coisa era mais física, a união de dois corpos para formar um novo corpo, mas não é assim. A verdade é essa: seu pai leva sua mãe ao motel para instalar uma criança dentro dela. A instalação leva um tempo, é necessário um técnico especializado para fazer a instalação. O instalador geralmente é um homem sem pai e sem mãe. Não pergunte como ele nasceu, eu não sei. O fato é que ele não pode ter nem uma mamãe, nem um papai.”

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