Estive o dia inteiro do lado de sua caneta. Sério, sou seu
diário. Não sei se você conta a outras pessoas os segredos que escreve aqui, ou
mesmo se pretende contar um dia.
Aliás, nem escrevido aqui você tem mais. Vive culpando a
rotina toda vez que me pega apenas para jogar de lado. Não deixa de ter a
intenção, mas age como se não tivesse mais motivos, ou como se precisasse de
inspiração.
O que houve com sua vida que fez com que ela perdesse aquele
gosto. Parece que já não tem romance, não tem mais o que contar, não tem mais
nada de novo. Tudo o que interessa agora é dormir tarde com a tv ligada para
acordar bem cedo e sair correndo. E você ainda chama isso de vida.
Não sei exatamente quando você vai decidir que chegou a hora
de voltar a escrever aqui. Hora de guardar segredos. De escrever ideias novas,
planos. Olha, eu não sei quando. Quem sabe na próxima mudança você não me
perca. Não vou ser o primeiro.
Agora, se resolver voltar a escrever aqui, não vou revelar
nada a ninguém, a menos que outra pessoa me encontre e me arranque todas as
informações. Seria como se me arrancassem tudo por tortura. Mas eu garanto, com
uma letra dessas, ninguém vai decifrar nada tão cedo. Eu garanto, palavra de
caderno.
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