E se de repente passássemos a contar o tempo por minutos, ou até mesmo segundos, que houvessem de vir pela frente? Seria como a partir da expectativa de vida, marcar uma data para a própria morte.
Consegue pensar?
Como haveria casos ilustres como o do Olavo, que, ao tentar ganhar dez minutos no caminho do trabalho, perdeu quarenta anos de vida pela frente. Afinal, se julgarmos por sua idade, 32 anos, e considerarmos que a expectativa de vida do brasileiro tem como média 72 anos, chegaremos a esta conclusão. Pobre dele. Alguns dizem que era a hora, eu concordo, era a hora. No seu pulso, os minutos estavam contados. A pressa o matou.
“Não posso ficar nem mais um minuto com você” – ele dizia à mulher cantando o clássico dos Demônios da Garoa. Realmente, ele não podia. Além do mais, se pegasse o trem das onze estaria no mínimo encrencado. Para ele, nem mesmo o próprio carro que pegava às 6h30 da manhã não era rápido o suficiente. Tinha um compromisso que não podia perder. Apressou-se demais. “Não posso perder um minuto” – pensava. Perdeu quarenta anos e talvez nem saiba.
Perdeu a mulher, perdeu os amigos, perdeu seu compromisso com o trabalho, perdeu tudo, uns dizem. Outros dizem que ganhou vida eterna. Não sei o que de fato aconteceu. O que sei é que não perdeu o único compromisso do qual não se pode escapar nesta vida – quem sabe, segundo a expectativa de vida, pudesse adiar –, a morte.
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