domingo, 23 de outubro de 2011

Visões de uns todos

Não posso acreditar que ainda haja quem acredite que no individual sejamos todos iguais, que podemos ter as mesmas opiniões de acordo com determinadas circunstâncias. Não é questão simples, mas podemos aprender com essas diferenças, que, muitas vezes, a serem vistas como defeitos, nos fazem perfeitos.
 
O fato é que não basta falar das opiniões ou atitudes diante de determinados fatos ou sonhos, tenho por mim que independentemente das vontades e das realizações mais particulares, a felicidade plena não existe, por isso mudamos de opinião com tamanha frequência.
 
Que tal rever alguns tabus, tais como o do adultério, por exemplo.
 
Veja o caso da Aline:
 
Conversou abertamente com o marido sobre o assunto; falaram abertamente; debateram dias; depois que venceram finalmente o tabu da conversa, finalmente chegaram a uma conclusão, choraram muito, declararam-se um para o outro e decidiram nunca trair um ao outro.  Até que um dia, ela, viúva, se arrependeu.
 
Então, que tal ver o caso da Marisa?
 
Traiu até não poder mais, o marido dela, de tão frouxo, não interessa, essa mulher não tinha limites, teve seus mil amantes. Entretanto, um belo dia, se arrependeu.
 
Se bem que a história do marido dela tem lá seu lado interessante sim. Afinal, acredite se quiser, ninguém nessa vida soube tão bem o que é levar chifre quanto o Ozório.
 

Definitivamente, esse homem não podia mencionar aquele ditado que diz que "cada um chora por onde sente mais falta", já que, quando mataram o Ricardão daquele bairro, a mulher dele teve diarreia até o sétimo dia.

Levou tanto que os chifres começaram a descer pelos braços e as pernas. Era tanto chifre — mas tanto chifre — que, para tirar o peso da consciência e compartilhar a dor, ele comprou um vídeo cassete de sete cabeças. 

E o caso da Ellen! 

Combinou com o marido: sexo é sexo, e só. Traição? Só o abandono.
 
Cada um transou à vontade com quem bem quis. Anos depois se arrependeram. Não sabiam se estavam traindo ou não, isso conforme seus próprios conceitos. Separaram-se, pois estavam infelizes no relacionamento. Voltaram tempos depois, agora fiéis um ao outro em todos os sentidos, mas continuaram infelizes.
 
Inês preferiu ser a outra, e foi. Dizia-se muito feliz. Mentira! Vivia sonhando em ter o homem da oficial. Nunca foi a titular. Quando seu amante ficou viúvo, arrumou outra, mais jovem ainda.
 
Melissa também era “outra”. Também sonhava em ter um homem seu; mas não o amante. Sonhava com o príncipe encantado, mas tinha o sapo. Procurou o homem certo em vários outros homens, mas não o achou. Morreu infeliz.
 
Serena foi serena até de mais. Não se arrumou com ninguém. Sonhava com um homem que fosse seu. Teve varias oportunidades e não abriu a boca nem para falar, que o diga beijar. Virou freira e morreu só. Infeliz que só.
 
Feliz foi Sandra, a conformista. Viveu o que tinha para viver na janela, espiando a vida das outras. De tão conformista que era, morreu sozinha, e morreu feliz, conformada com seu destino e com o fato de nunca ter conhecido a dor da desilusão amorosa, já que nunca havia tido ilusões mesmo.
 
Quando viva, prendeu o busto na janela e soltou a língua na rua.

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